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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ida Maria lança disco com forte influência do blues

Confira detalhes e leia a resenha completa deste que era um dos álbuns mais aguardados de 2010

A talentosíssima norueguesa Ida Maria, que contou com a ilustre participação de Iggy Pop no remake do seu primeiro single “Oh My God“, lançou no dia 08 de Novembro o segundo álbum de estúdio da sua carreira em versão digital e em CD.

Katla” teve sua capa fazendo jus ao nome escolhido, inspirado no vulcão islandês que entra em erupção em intervalos de 50 anos a 80 anos.
O disco foi gravado em Santa Monica, Los Angeles, durante o verão [hemisfério Norte] deste ano e foi produzido por Butch Walker, que já trabalhou com Pink, Weezer e Hot Hot Heat.

Para quem (assim como eu) adorou o primeiro disco de Ida, “Fortress Round My Heart“, de 2008, a única decepção que irá encontrar em “Katla” será na quantidade de músicas: Apenas 9 faixas, contando já com a bônus. Ou talvez possa se sentir um pouco “esquisito” com algumas mudanças. Mas Ida não desapontou e fez valer esses dois anos de espera ansiosa, ao criar um disco com novos rítmos (principalmente o blues) e elementos.

A primeira faixa de “Katla”, a relaxante e folk “Quite Nice People“, abre o disco de forma contrária a do álbum anterior, que logo de cara já apresentava a explosiva “Oh My God”.

Mas essa explosão não demoraria a chegar no disco novo. Sua segunda música, o single “Bad Karma“, desperta um interesse de escutar como seria uma parceria de Ida com Jack White, uma vez que esta lembra bem alguns de seus trabalhos (principalmente com o White Stripes).

10,000 Lovers” mescla rock’n'roll, blues e o pop rock original de Ida, tornando-se assim uma faixa bem divertida de ouvir.

Com uma introdução desenhada por um expressivo baixo e bateria marcante, “Cherry Red” nos apresenta a primeira surpresa do disco ao ter uma parte em francês com melodia típica francesa.

De todas as faixas de “Katla”, “Let’s Leave” é a única que nos faz lembrar sem dúvida alguma de “Fortress Round My Heart”. Ela é tão fiel ao primeiro disco que até parece ser algum b-side.

Confesso que “I Eat Boys Like You For Breakfast” foi a que mais chamou a minha atenção quando vi a listagem de faixas, mas me perguntei se ela seria tão incrível quanto o título.
A resposta foi positiva. Ela é uma das mais divertidas do álbum ao mesmo tempo em que é uma das mais melódicas. Ela também nos apresentar outra bela surpresa ao ter influência nítida de música espanhola (há até mesmo trompete!) e mudanças no tempo muito bem arranjadas.

Por falar em arranjo, “Devil” é a faixa-destaque do álbum, não só por ser a mais longa (tem 9:47 de duração), mas por sua letra e pela forma como Ida usa a voz.
Com um ar de blues e até mesmo psicodelia, “Devil” é bastante melódica e nos mostra um arranjo surpreendente e incrível, principalmente da sua metade ao seu fim, onde as batidas, as vocalizações e os efeitos ficam mais intensos.

Pela letra fica possível entender o motivo de “My Shoes” ter sido escalada como a faixa final do disco (sem contar com a bônus, “Gallery“), já que Ida fala sobre fugir de problemas e até mesmo de si mesma.

Como Ida trouxe bastante influência do blues para o álbum, ficou a vontade de ouvi-la cantando algo que fosse puramente assim.
Talvez seja por isso que “Gallery” foi escolhida como faixa bônus, onde Ida soube usar e abusar de todo o universo blues, fazendo parecer até que a faixa havia sido gravada em meados dos anos 60 no estilo Howlin’ Wolf.

Infelizmente “Katla” só foi lançado em forma física na Noruega (em breve na Suécia e Dinamarca). Mas a boa notícia é que Ida está trabalhando numa maneira de lançar o disco em outros países, o que acontecerá só em 2011 via Mercury Records.

Mas para comprá-lo em versão digital, clique aqui.

Mais notícias minhas em: Tenho Mais Discos Que Amigos!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

StripClub lança seu primeiro “não-EP”

Se você gosta de ouvir rock’n’roll com pitadas de stoner rock, “Born For Trouble” também nasceu para você. Leia a resenha, ouça o disco e confira detalhes.

No dia 19 de outubro deste ano, o trio carioca StripClub fez o pré-lançamento do seu primeiro álbum de estúdio ou, como os mesmos consideram, o seu primeiro “não-EP”, no site Trama Virtual.

Born For Trouble” foi produzido, gravado, mixado e masterizado no estúdio Superfuzz (que, literalmente, é a casa do StripClub) por Gabriel Zander (ex Noção de Nada/Deluxe Trio, atual Zander).
A capa do álbum traz a modelo Diana Balsini, numa foto clicada pelo fotógrafo Fernando Schlaepfer e produzida por Nathy Kiedis e Felipe Mar.

O trio já havia mostrado duas faixas desse novo trabalho durante o show realizado no começo de agosto no estúdio Oi Novo Som.
Devil’s Delight” e “Challenger” já tinham conseguido passar um pouco de todo peso que iríamos encontrar em “Born For Trouble” e ao escutá-lo por inteiro, ele não desaponta.

O disco realmente é fiel àquilo que disse certa vez o vocalista e guitarrista Alexandre Barbosa (também membro do De’la Roque): “Born For Trouble” “tem uma pegada mais pesada do que os lançamentos anteriores, mas não saindo do estilo e temática da banda” e é composto por “sete músicas cheias de maldade e groove“.

A faixa que abre o disco (e preciso confessar, a minha favorita) é “Devil’s Delight“. Com letras, riffs, vocais e compassos lascivos, creio que ela sozinha já consegue descrever tudo aquilo que o álbum era para ser.

Sem que haja tempo para você se recuperar de toda potência da primeira faixa do álbum, chega “In My Hands” despertando uma vontade [impossível de segurar] de querer acompanhar os vocais que, inclusive, têm a ilustre participação de Kito Vilela (vocalista e guitarrista do De’La Roque, banda que Alexandre Barbosa também é integrante), assim como na letra.

Depois de “In My Hands” é a vez de “I’m Back in Town, Babe” ser disparada. Ela é o tipo de faixa que não te deixa escutar o álbum em paz sem antes repeti-la pelo menos uma vez, muito por culpa da melodia e da letra do seu ótimo refrão, onde Barbosa canta: “I’m a loaded gun, babe and my trigger is loose / you’re playing with fire and I’m always ready to shoot“.

Logo em seguida chega a sexy “Nice & Slow“, como o próprio título já dá a entender e “All Over You“, com uma das melhores performaces de Barbosa nos vocais e nas guitarras do disco.

O disco então apresenta infelizmente as suas últimas duas faixas: A já citada por aqui, “Challenger” e “Épico” que, apesar do nome, também é em ingles.

Challenger” traz, sem dúvida, o melhor arranjo do disco. Com algumas mudanças no tempo da música, a faixa também dá um destaque merecido ao baixo de Celso e é uma das mais pesadas de “Born For Trouble”.

Mesclando suas influências do heavy metal com stoner rock para servirem de melodia para uma das letras mais interessantes do álbum, o StripClub criou “Épico“, que finaliza de forma empolgante esse ótimo novo trabalho da banda.

Portanto, se você gosta de ouvir rock’n’roll com pitadas de stoner rock e letras muito bem escritas em inglês, “Born For Trouble” também nasceu para você. Clique aqui e faça o seu download gratuito.

Para conhecer melhor a banda, o TMDQA! recomenda que você faça o download gratuito da coletânea “StripClub: 2005-2010“. Clique aqui para pegar o link e também ler mais detalhes sobre.

O disco deverá ser lançado em forma física ainda neste mês e enquanto o show de lançamento não acontece, no próximo domingo, dia 07 de novembro, o StripClub tocará algumas músicas novas durante o show no Rio de Janeiro no evento A Grande Roubada, que também contará com Ratos de Porão, Jason e Nuestro Sangre.



Mais notícias minhas em: Tenho Mais Discos Que Amigos!

sábado, 10 de abril de 2010

Resenha: Look Mexico - "To Bed to Battle" [2010]

O querido Gab Mule da banda Oceanic e quem eu entrevistei recentemente, fez uma belíssima resenha do mais novo álbum do Look Mexico (inclusive, o baterista foi quem fez a arte do EP e do myspace da Oceanic). Confira abaixo:

Look Mexico - "To Bed to Battle" [2010]

Look Mexico tinha planos de lançar seu novo CD "To Bed to Battle" no dia 23 de Março, mas por causa de um vazamento do CD abordaram uma manobra diferente: Disponibilizaram o CD para download, bastava uma doação com o valor que quisesse pagar para receber um código de ativação e fazer o download.

O CD conta com 10 faixas e sua arte é assinada por Joshua Mikel, também baterista da banda. Em suas músicas podemos ver que a banda realmente mudou um pouco o rumo dos cds anteriores, mas de forma alguma perderam o brilho de suas belas músicas e as músicas principais do CD são "You Stay. I Go. No Following" (faixa 1) e "Just Like Old Times"; sendo que a primeira faixa foi transformada em clipe, e está no youtube para quem quiser ver:



Look Mexico encanta pelas suas baterias não usuais, o grande uso de tambores, e aros mais guitarras muito bem trabalhadas, e um sintetizador que em muitas vezes dá a ambiencia das músicas e as torna de fato uma viagem além de onde se está. Neste novo CD não é diferente, logo ao pôr para tocar inicia "You Stay. I Go. No Following" com uma linda ambiência, e onde entoa-se a frase 'Thank you for absolutely nothing' (obrigado por absolutamente nada, em português literal), que, aposto, muitos já pensaram em solta-lá em certos momentos. A segunda música entramos num segmente bem diferente, podemos sentir uma pitada de experimentalismo nessa música, alguns podem até lembrar de Muse em certos trechos. "Until the Light Burns Out?", faixa 5, acalma os ânimos, particularmente acho a música linda, a ambiência, bateria marcando os tempos sutilmente, e a melodia da voz são sensacionais. E a música de encerramento "Just like old times", por mais que estivesse acostumado com sua versão gravada num tempo mais acelerado,



a música tem uma ambiência sensacional, as baterias são muito bem trabalhadas, e as vozes dão a melodia certa para transformar a música.

Particularmente estou viciado no novo CD (assim como nos velhos até hoje), realmente tem sido a trilha sonora dos meus dias, valhe muito a pena ouvir para conhecer, é realmente uma viagem musical se ouvir nos minimos detalhes cada elemento, cara som, cada batida.

Por: Gabriel Mule

Para comprar o álbum e ter mais informações, clique aqui.

E se voce, assim como o Gab, quiser participar do Fish and Candy, enviando alguma matéria, entrevista, resenha, etc, é só entrar em contato! =D

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Post Especial: Tudo Em "Família"


Spinnerette, Them Crooked Vultures, Nosfell: Os três álbuns são homônimos, foram lançados no mesmo ano (2009), contam com a participação de Alain Johannes e tem outras coisas em comum. Descubra-as!


Quando o Distillers (foto ao lado) acabou oficialmente em 2006, os fãs de Brody Dalle ficaram com a pergunta “E agora?!” durante algum tempo sem ser respondida. E o “medo” de que Brody realmente fosse se afastar de vez da música – ela chegou a cogitar aposentadoria, para se dedicar à família – crescia.

Então, em 2007, Dalle anunciou o seu novo (super)grupo, Spinnerette, que tem influências de Pailhead, Gunclub, Roky Erickson, My Bloody Valentine e Black Flag e que conta com dois line ups: um para estúdio e outro para shows.
O que chama mais atenção é o de estúdio, que é composto por - além de Brody Dalle, logicamente - Tony Bevilacqua (ex Distillers), Alain Johannes (ex What Is This?, ex Walk The Moon, Eleven, produtor, técnico de som, músico de apoio nas turnês de algumas bandas como Them Crooked Vultures, Queens of the Stone Age) e Jack Irons (ex What Is This?, ex Red Hot Chili Peppers, ex Walk The Moon, ex Pearl Jam, Eleven).

De todo modo, Brody disse que esse é um projeto dela: “Spinnerette não é uma banda. Sou eu e uns músicos com os quais eu quero trabalhar no momento.

No mesmo ano em que foi anunciada a sua estréia, a Spinnerette lançou uma faixa instrumental, “Case of the Swirls” - que foi escrita em um piano elétrico e transcrita para a guitarra por Johannes - e no começo de janeiro de 2008, uma mash up (com um pouco menos de um minuto de duração) - com todo o material até então que entraria para o EP e CD - apareceu no site e no myspace oficial da banda.

Mas isso não era suficiente para os fãs e o “gostinho de quero mais”, ainda continuava...

Então, no dia 8 de agosto de 2008 (“porque oito é o número da renovação”, como Brody explicou uma vez), foi anunciado no blog do myspace que os fãs agora poderiam ouvir uma canção inteira, através do site da banda. Essa música, que faria parte do EP, foi “Valium Knights”.

Também em agosto, Dalle participou do concerto-tributo à Natasha Shneider (Natasha Shneider Benefit Concert), onde apresentou pela primeira vez "Driving Song", junto com Queens of the Stone Age, banda liderada pelo seu marido, Josh Homme.

No dia 11 de dezembro de 2008, através do site oficial, a Spinnerette lançou um EP virtual, intitulado “Ghetto Love”, com as musicas: “Ghetto Love”, “Distorting a Code”, “Valium Knights” e “Bury My Heart”, tendo ainda adicionado “ao pacote”, um vídeo de “Ghetto Love” dirigido (pelo incrível e amigo da família Homme) Liam Lynch.




Depois de meses e meses de espera e alguns shows, o álbum completo, “Spinnerette” (gravado no estúdio de Brody Dalle e Josh Homme, o Pink Duck e com produção, engenharia e mixagem sob os cuidados de Alain Johannes - na foto) foi lançado em de junho de 2009.

O CD, que segundo Ms. Dalle, foi inspirado pelo nascimento de sua filha e pela morte do seu pai, contém duas faixas do EP “Ghetto Love” e mais onze inéditas.
Nele, Brody Dalle prova que é mais do que uma punk rock girl e que de fato sabe fazer música e sabe – mais do que tudo – usar e abusar da sua voz. Ele mostra também uma Brody mais madura e mais à vontade para tocar outros instrumentos (além de algumas guitarras, Brody também gravou alguns baixos, teclado e piano elétrico).

[Tenho que confessar que quando escutei o CD pela primeira vez, não consegui entendê-lo e levá-lo muito a sério. Melodicamente, ouvi muita influência de Eagles of Death Metal e Queens of the Stone Age (mais precisamente o CD "Lullabies to Paralyze", de 2005). Já na parte das letras – que Brody divide com Alain Johannes e esporadicamente, Tony Bevilacqua – consegui literalmente saber qual parte foi a que ela escreveu e qual parte foi a escrita por Alain. A primeira audição foi um tanto quanto estranha pra mim. Mas eu sabia que isso era só uma impressão e que nem sempre, a primeira é a que fica...]

Spinnerette


A faixa que foi escolhida para ser o primeiro single e a primeira música do CD, "Ghetto Love" - que também está no EP - mostra o encontro das águas do punk rock com o rock pop alternativo, visto em várias faixas da Spinnerette.
A melodia, que foi criada por Johannes e Dalle, contém apenas dois acordes e um baixo bem elaborado tocado por Brody.
"Ghetto Love", ao mesmo tempo em que é dançante, consegue ser agressiva.

"All Babes Are Wolves" é a mais empolgante do CD. Chega até a lembrar uma versão mais pop de "Coral Fang" com "Dismatle Me" (ambas do último CD dos Distillers). Também tem um dos baixos mais legais de todo o CD.

"Cupid" é uma excelente música. Com Jon Theodore (The Mars Volta) na bateria, a música ganha um brilho a mais e Brody Dalle prova que sua voz grave e rouca, também consegue alcançar tons agudos.

A inspiração de "Geeking" veio de uma canção de ninar que Dalle cantarolava para Camille, sua filha.
A música tem uma pegada bem “pop rock californiana” e não posso negar que a princípio, me lembrou alguma popzinha do Lenny Kravitz (sorry, Brody). Porém, ao decorrer, a música prova que tem sim potencial.

O segundo single da banda arrancou elogios da crítica e inclusive de David Letterman, quando a banda se apresentou no seu programa, em 2009. Com uma batida bem marcada nos versos (lembrando “pessoas marchando”), refrão dançante e “chiclete”, "Baptized By Fire" é, sem dúvida, uma das mais pops do álbum. (Particularmente, gostei muito da versão acústica também. Assista ao vídeo da versão acústica e ao vídeo da elogiada apresentação no Late Show With David Letterman, a seguir:)





"A Spectral Suspension" é uma das minhas favoritas, sem dúvida alguma. Os vocais da Brody – usados com sutileza nos versos e agressividade no refrão – acompanhando os acordes, tornam essa música a mais
"tensa" do CD. Só ouvindo para entender.

Sinceramente não entendi o motivo de
"Distorting a Code" ter entrado para o CD (talvez por ser a faixa favorita da Brody Dalle ou porque ela toca teclado e piano elétrico na música). "Distorting a Code" também estava presente no EP, porém, eu acho que as outras duas que ficaram de fora, "Valium Knights" e "Bury My Heart" são infinitamente melhores.
Portanto, de todas as músicas do CD, essa é a única que realmente não me encanta. Mesmo assim, há algo para ser destacado: A parte onde a letra é cantada invertida, fazendo jus ao título da música.

"Sex Bomb" é uma música que me deixa um pouco constrangida. Digo, ela é boa para dançar, é animada, mas me dá vergonha alheia por causa da letra e aqueles vocais que parecem até ter sido gravados pelo Mario Bros, me dão dor de cabeça e são engraçadíssimos. Se você for escutá-la com o intuito puro de se divertir, sem se ligar na letra e nesses "vocais bizonhos", ela funciona legal.

Nitidamente conseguimos captar que "Driving Song" (Dalle/Johannes), foi composta em homenagem às grandes perdas nas respectivas vidas de ambos: O falecimento de Peter Pucilowski (padrasto e "verdadeiro" pai de Brody) e Natasha Shneider (parceira de Alain). E mais uma vez ouvimos Brody tocando baixo, muito bem criado por sinal. Não há outras definições para essa música além de linda e emocionante.

Com uma letra debochada e escrachada,
"Rebellious Palpitations" prova que não é só mais uma música dançante encontrada no álbum e que é sim, a faixa mais divertida do CD.

Com basicamente os mesmos acordes de
"Sex Bomb" (durante os versos) e também com um apelo pop, "The Walking Dead" mesmo assim se mostra uma canção totalmente diferente da primeira citada aqui. Ela tem uma das mais belas performances de Brody Dalle nos vocais, que eu já ouvi. A doçura das guitarras rítmicas e solo mais o riff que Tony Bevilacqua faz nos refrões, tornam essa música muito sexy, charmosa e encantadora, do jeito que realmente Spinnerette é definida, segundo Brody Dalle.

"Impaler" (que foi inspirada em Vlad, o Empalador), é uma das músicas que nos faz lembrar de alguns projetos do Josh Homme, que inclusive, participa da música, tocando cig-fiddle (uma espécie de violino, feito com caixa de cigarro). A música é bem repetitiva, mas era essa mesmo a ideia inicial. Parecer com algo tipo um amontoado de chaves, como a própria Brody contou.

Com uma belíssima melodia, ritmo extasiante e letra contendo as seguintes frases "I am the ball, you are the chain. Together we are connected as one", "I do believe hell is on Earth" e "The devil's dance with God", "A Presciption For Mankind" (provavelmente a minha favorita), última faixa do CD e a primeira a ser gravada, é uma das mais interessantes e também é a mais intensa de todo o álbum.
Brody Dalle achou a combinação perfeita de vocais e acordes, sempre deixando exposto o contraste de calmaria com agressividade, fazendo com que toda a emoção da música e o seu sentimento na hora da gravação, pudessem realmente ser notados.
E quando você pensa que a música termina, ainda há mais para o final, onde Brody faz vocalizações dignas de um imenso
"WOW!".

No fim, como um todo, eu indico esse álbum de estréia da Spinnerette e acrescento que ele realmente se enquadra na definição da banda: "Há doçura, há ameaça".

Portanto, se você gosta do trabalho que Brody Dalle fez com Distillers (e/ou com Sourpuss, sua primeira banda formada na Austrália), porém torceu o nariz para a Spinnerette, dê mais uma chance para ela. Compreenda-a e ouça-a com carinho. Melhora a cada audição e se torna viciante!

***

Outro CD que nos enche de expectativas, mas só melhora a cada vez que é posto para tocar, é o primeiro álbum do Them Crooked Vultures, gravado também no estúdio Pink Duck e lançado em novembro nos EUA, Europa e em dezembro no Brasil.

Até Brody Dalle dar pistas sobre esta união de John Paul Jones e Dave Grohl com Josh Homme, quase nada ou puramente nada se sabia sobre esse projeto envolvendo os três.

Dave Grohl foi o responsável pela formação da banda. Durante uma conversa com Josh Homme, ele havia contado sobre esse plano de criar uma banda com os dois mais John Paul Jones. Josh não tinha levado isso muito a serio, por mais que tivesse achado a idéia brilhante.
Então, durante a festa do aniversário de 40 anos (janeiro de 2009) de Dave, ele apresentou John ao Josh e vice versa e depois de uma conversa, voilá, a banda estava oficialmente criada.

Não vou negar que eu esperava um CD "mais além do que ouvi", porém, o conteúdo continua sendo bom e a sensação de estar ouvindo algo que merecia ter sido apresentado há tempos, persiste.

O que são aqueles riffs de baixo e guitarra? Aquelas levadas de bateria? O que falar das letras? E dos arranjos?

Sem deixar de mencionar que além do trio Dave Grohl, John Paul Jones e Josh Homme, o registro também conta com a participação de Alain Johannes (que pode até ser considerado um membro da banda também). Ele gravou as faixas "Dead end friends", "Reptiles", "Interlude with Ludes", também fez alguns backing vocals e participa das turnês.

Por essas razões que o primeiro álbum do Them Croocked Vultures merece ser ouvido com todo o respeito e sendo assim, não vou me alongar muito em comentários sobre ele, até porque esse registro os dispensa.


Them Croocked Vultures

"No One Loves Me & Neither Do I", que primeiramente foi lançada como um teaser, dispensa longos comentários. É simples, direta, porém na metade da canção, eles adicionaram um dos riffs mais geniais que já ouvi e assim vai seguindo até a música terminar.

"Mind Eraser, No Chaser" é uma daquelas bem Foo Fighters. Inclusive, Dave Grohl tem uma notável participação nos vocais do refrão.

"Dead End Friends" me lembrou demais alguns trabalhos feitos pelo John Reis no Rocket From The Crypt. E garanto que se você ouvi-la, pensará a mesma coisa que eu.

"Elephants", pode-se dizer que é a mais ovacionada pelos fãs de Them Croocked Vultures. Talvez seja pelo fato de ela mostrar realmente o que o trio é capaz de fazer.

"Scumbag Blues" é uma das minhas favoritas. É bem rock’n’roll old school. Já "Interlude With Ludes", me lembrou algumas coisas feitas pelo Josh Homme em um dos seus projetos, o Desert Sessions. É algo bem "viagem" mesmo.

Como um todo, ao mesmo tempo em que o álbum consegue ser bem rock’n’roll; old school, ele se mostra também moderno em algumas faixas como
"Gunman".
Veja um vídeo dessa música, feito pelo Liam Lynch (que além de já ter sido citado aqui por ter trabalhado com a Spinnerette, fez a artwork e todo o design gráfico do CD de estréia do trio):




Enfim, "Them Croocked Vultures" é um álbum que não pode faltar na sua listinha "tenho que ouvir".

Abaixo, a primeira parte de outro vídeo dirigido por Liam Lynch (e produzido pelo trio), explicando melhor como a banda surgiu:




E aqui, "Elephants" ao vivo:



***

Nosfell nasceu em Saint-Ouen, França e é um dos artistas mais interessantes da atualidade.
Além de usar o seu nome próprio, no palco ele também aderiu ao nome Labyala Fela Da Jawid Fel, que significa "aquele que caminha e cura".

Nosfell (porque é muito mais fácil chamá-lo assim) também criou o seu próprio mundo imaginário, que contém toda a alegria do escapismo, chamado Klokochazia e também o seu próprio idioma, "Klokobetz", que inclusive, é cantado em seus álbuns que também contam com os idiomas inglês e francês.

Ele estudou linguagens asiáticas, mas se tornou famoso como um performer e um músico de cabaré, que anos depois, passou a tocar em importantes lugares e abrir shows de bandas como Pixies e Red Hot Chili Peppers.

Suas influências vêm do blues, folk, funk, música africana e até mesmo beatbox e scat (uma improvisação vocal com vocábulos aleatórios e sílabas sem sentido ou sem palavras, muito utilizada no jazz).

Em 2009, Nosfell lançou o seu terceiro e mais recente álbum (homônimo) de estúdio e para acompanhá-lo, o livro "Le Lac aux Velies", escrito por ele e Ludovic Debeurme, para elaborar as histórias que ele narra no palco.

Além de um EP, um álbum ao vivo, três álbuns de estúdio e um livro, Nosfell também lançou em 2006 um DVD intitulado "Oklamindalofan", que foi gravado em Bruxelas, em dezembro de 2005.

Eu destaco nesse CD – que contém treze faixas - além do poder da voz do Nosfell, dos riffs incríveis, das melodias brilhantes e dos arranjos para ninguém colocar defeito, as músicas: "Lūgina", "Sūbilūtil", "Arimlisliilem", "Sūanij...", "...Jüsila", "Bargain Healers" e "La Romance Des Cruels".

Nosfell


O álbum recebe uma intro de beatbox, que é seguida pela voz doce e angelical de Nosfell e sem que você espere, entra uma porrada para então todos os instrumentos começarem. Ao decorrer dela (
"Lūgina") – que se baseia em pop rock alternativo - é possível notar - além de beatbox – o uso de violoncelo, violino e até mesmo um quê de samba e rap, no estilo Beastie Boys.

Na faixa seguinte, "Sūbilūtil", Nosfell usa a sua voz em duas camadas: Uma mais grave e outra mais fina. Os riffs são incríveis e apesar de ser "animadinha", o final é sereno.

"Arimlisliilem" é a mais bonita do CD. Como uma introdução lindíssima feita por violoncelo, acompanhada depois por uma guitarra que utiliza um timbre suave (lembrando até mesmo uma cítara), Nosfell, em seguida, insere docemente a sua voz na música. No final ela termina em um clima de suspense.

Não é preciso entender rigidamente o que Nosfell fala em suas músicas (até porque é impossível decifrar tudo), mas qualquer um consegue notar que "Sūanij..." e "...Jüsila" estão ligadas entre si. A primeira é acústica, calma e serena. Mas assim como as reticências encontradas no título, nos leva a entender que há mais pela frente. Então, em
"...Jüsila", a música encorpora mais ritmos, insturmentos e melodicamente, passa pelo rock alternativo e até mesmo pelo punk. O arranjo feito para o final da música, é impecável e merece destaque.

"Bargain Healers" é introduzida por Nosfell e depois conta com a participação do casal Brody Dalle e Josh Homme. Inclusive, essa música me lembrou bem algumas coisas "à lá" Josh Homme: Não sei se é pela melodia, pelos solos ou pelo timbre da guitarra. Creio que por conta disso, Alain Johannes (que além de pruduzir e mixar, também toca guitarra, baixo, cig fiddle e marxophone no CD) talvez tenha sugerido essa participação na música.

Além do casal Homme, o álbum também conta com outra ilustre participação: Daniel Darc (conterrâneo de Nosfell e tão excêntrico quanto ele), aparece na faixa
"La Romance Des Cruels", que é bem folkzinha.

Se você curte algo na linha de The Mars Volta, Björk e Nine Inch Nails, não pode deixar de ouvir Nosfell. E nada melhor do que começar pelo álbum que talvez seja o trabalho mais especial feito por ele, até o presente momento.

Confira uma versão acústica de
"Lūgina", música que abre com chave de ouro esse CD do Nosfell:



E "Bargain Healers", sem Josh Homme e Brody Dalle:




Por: Angélica Albuquerque