segunda-feira, 17 de maio de 2010

Festival Fora do Eixo Rio de Janeiro @ Circo Voador

[ Matéria comigo e com muita gente supimpa e conhecida do underground brasileiro: http://ow.ly/1CBri ]

No post de hoje, no site TENHO MAIS DISCOS QUE AMIGOS!, falei sobre:

Festival Fora do Eixo Rio de Janeiro

Com um ar de dever cumprido, chegou ao final a primeira edição do Festival Fora do Eixo na capital do Rio de Janeiro – com produção sob os cuidados da Ponte Plural – que como um todo, podemos analisar que foi um sucesso tremendo.

Foram três noites em três diferentes e aclamados lugares da cidade, com diversas bandas e várias atrações. Nós, do Tenho Mais Discos Que Amigos!, cobrimos o último dia do Festival e iremos detalhá-lo a seguir!

Além das apresentações, pude observar uma coisa interessantíssima e importantíssima: O termo “coletivo” não só é usado literalmente para descrever o Circuito Fora do Eixo, mas sim, praticamente. Há uma troca de energia positiva e de ideias, um sempre querendo ajudar o outro e uma vontade absurda de ver a cena independente crescer e se firmar cada vez mais.

Prestei também atenção nas pessoas que estiveram ali presentes, no tipo de interação entre elas e não acho maneira melhor para descrever isso sem citar a frase de uma amiga minha que também compareceu ao Festival: “O Circo Voador parecia quintal de casa. Cheio de gente conhecida; cheio de amigos.”

O último dia do evento viajou por partes distintas do Brasil, trazendo bandas de Goiânia, Amapá, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e claro, como não poderia faltar, duas bandas do Rio de Janeiro, cada uma representando o seu lado da Ponte Rio-Niterói.

Pela quantidade de bandas, é normal que um evento atrase mais do que deveria. Infelizmente, isso é um dos costumes do brasileiro. Porém, o intervalo entre uma banda e outra que se apresentou nesse evento, foi curtíssimo e preenchido pelos DJs Independência ou Morte e Mário (Moptop), fazendo com que todos não ficassem parados por um minuto sequer.

Sobre os shows… Bem, leia a seguir.


Stereologica

nfelizmente não consegui pegar o show do duo Roberto Moura e Mari B., mais conhecidos como Stereologica. Eles são de Niterói, fazem um rock alternativo bem bacana que nos lembra por vezes Sonic Youth, Pixies e com certeza Smashing Pumpkins.
O duo faz parte da Rede Rio Música e do coletivo Ponte Plural, que produziu o Festival Fora do Eixo na capital do Rio de Janeiro.

O EP homônimo e lançado em 2009, está disponível para audição e download gratuito neste link.

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Camarones Orquestra Guitarrística

Quem vai julgar a banda somente pelo nome achando que vai ouvir solos longos, viradas impossíveis e melodias intermináveis, vai se surpreender assim como eu quando conhecer melhor o seu trabalho.

O Camarones Orquestra Guitarrística, de Natal, faz um som e um show exatamente como diz a sua definição: “Banda de rock instrumental divertido!”. Eles adicionam efeitos [muito bacanas] em suas músicas, passam pelo ska, rocksteady, pela surf music, pelo rock’n'roll e até mesmo consegui ouvir algumas melodias com uma vibe meio Devo, como na música “Pra Inglês Ver”.

Após uma divertida introdução de ska, Anderson Foca, o idealizador do projeto instrumental Camarones Orquestra Guitarrística, convocou todo o público presente ali para “dançar gostoso“.

No começo, houve um receio da parte do público, que parecia não conhecer de fato a banda e resolveu dedicar os primeiros momentos para “análise”. Mas não demorou muito para todo mundo se render ao carisma da baixista Ana Morena e à energia de Anderson Foca, que comandava o seu laptop com efeitos e até apitos.

E assim começava a primeira apresentação da carreira da banda no Rio de Janeiro. Quanta pompa, não? Logo no Circo Voador, uma das casas mais históricas e mais respeitadas do Rio de Janeiro. Anderson Foca reconheceu a importância e o quanto isso vale no release de uma banda independente: “Está sendo uma honra tocar onde o Ramones tocou!“.

Entre uma das autorais, a banda ainda arrumou um espacinho para inserir um pedaço de “Take Me Out”, do Franz Ferdinand, ganhando assim mais pontos com o público que interagia cada vez mais com a banda, acompanhando algumas melodias com palmas.

A banda com certeza animou o público e ganhou espaço no Rio de Janeiro. Após a apresentação – que teve um final muito empolgante – a banda recebeu vários elogios e teve todos os seus CDs rapidamente vendidos.

Os integrantes são ótimos músicos, mas preciso destacar a baixista Ana Morena. Ela faz toda a diferença no palco, com tamanho carisma ao tocar com aquele sorrisão no rosto. Além disso, é confiante no que está fazendo e tem uma ótima presença de palco. É uma baixista das poucas que podemos ver por aí [Particularmente, a única baixista que havia visto ao vivo aqui no Brasil com o mesmo "estilo" de tocar da Ana Morena, era a Luciana Guessa, das bandas Ruanitas/Acústika].

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Mini Box Lunar


Por volta das 23hs45min, o palco do Circo Voador recebeu toda psicodelia da banda de Amapá, Mini Box Lunar, que me fez pensar por vezes estar em 1970 e não em 2010.

A banda usa e abusa de elementos marcantes da tropicália não só em seu som, mas também em seus trajes, com destaque – obviamente – para os utilazados pelas duas doces vocalistas da banda, Heluana Quintas e Jenifer “JJ”.

A performance do Mini Box Lunar não poderia receber outra definição a não ser teatral. Também, para acompanhar o tanto de experiementalismo inserido em suas canções, uma boa interpretação não poderia ficar de fora.

Destaco a apresentação da música “Soldado Colorido”, que fez todo mundo pular no Circo Voador. A música é bem melódica, animada e divertida, com pitadas de ska e música circense.

Ouvi algumas pessoas comentando que o Mini Box Lunar lembra O Teatro Mágico. Sim, de fato. Não discordo. Mas ainda assim, a banda consegue mostrar o seu diferencial.

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Macaco Bong

Um dos nomes mais aguardados do Festival Fora do Eixo Rio de Janeiro.

Assim que todos notaram que a próxima banda a tocar seria o power trio de Mato Grosso, Macaco Bong, começaram a se aglomerar para contemplar de perto a intensa performance da banda ao vivo.

O setlist usual, contou com apenas uma música nova. Mas quem disse que isso é algum problema? Com música nova ou não, o Macaco Bong leva ao delírio os fãs de música instrumental mais trabalhada, encorpada, com mais melodia, harpejo, baixo e bateria em sintonia e solos que são ao mesmo tempo transeuntes e marcantes.

Em resumo, a apresentação do Macaco Bong é do tipo “ver para crer”.

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Canastra



Essa é a banda mais querida do Circuito Fora do Eixo. Lotam as casas de todos os lugares por onde passam!” E foi com essa apresentação que o Canastra, o representante da capital do Rio de Janeiro, subiu aos palcos tocando uma versão da introdução clássica da vinheta dos estúdios FOX, seguida pela famosa “Imperial March” (Star Wars), que naquele caso, ao invés de representar o Lado Negro da Força, representava o domínimo total do Circo Voador pelo sexteto. Mostrava que era o momento do Canastra entrar em ação e – como todos já devem saber – trocar o uso da palavra “show” por “baile”, sem esforço algum.

Após essa belíssima introdução, o Canastra tocou “Falsas Promessas”, “Quando Sim Quer Dizer Não” e três hits seguidos: “Chevette Vermelho”, “Meu Capuccino” e “Miss Simpatia”, com todos os casais, não-casais e solitários avulsos dançando como se não houvesse o amanhã, cantando tudinho em coro e com direito à palminhas.

O Canastra é aquele tipo de banda que tem interação total com o público: Conversa, faz piada, brinca e acima de tudo, diverte. Por conta disso, quando Renato Martins (vocal/guitarra) questionou “Tão dizendo que a gente deveria sair do palco. E vocês? Acham isso?“, obteve um gigante “Não!” como resposta.

Foi então que a platéia ficou ainda mais empolgada e aqueles “solitários avulsos” citados acima, criaram coragem para puxar alguém para ser o seu par no baile. E a banda não deixou por menos! Após o incrível baixista de mão cheia Edu Vilamaior ter feito um “Power Slide” (como é lecionado no filme do Tenacious D), Renato Martins tocou sua guitarra em cima do contrabaixo acústico e característico do Edu. Convenhamos, um show à parte.

O lineup variou entre algumas versões e as clássicas autorais. Teve até música dedicada ao Adriano, atacante do Flamengo. A escolhida para homenageá-lo foi “Motivo de Chacota”.
O final da apresentação ficou por conta da hit “Diabo Apaixonado”, “Tu Vuo Fa L’americano” (com a platéia ajudando a cantar “Olê!” nas horas precisas) e a instrumental “Royal Straight Flush”.

Setlist completo:

01 Intro “FOX” / “Imperial March”
02 “Falsas Promessas”
03 “Quando Sim Quer Dizer Não”
04 “Chevette Vermelho”
05 “Meu Cappuccino”
06 “Miss Simpatia”
07 “Motivo de Chacota”
08 “Rock Baile”
09 “Edmundo”
10 “Ensimesmado”
11 “Dois Dedos de Conhaque”
12 “Dallas”
13 “Diabo Apaixonado”
14 “Tu Vuo Fa L’americano”
15 “Royal Straight Flush”

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Black Drawing Chalks

Acompanhei os outros dois shows que os goianos do Black Drawing Chalks fizeram no Rio de Janeiro e confesso que essa terceira apresentação para o Festival Fora do Eixo foi a melhor e a mais completa que já vi.
Não sei se é pelo fato do primeiro show ter sido no meio da semana e o segundo em pleno Carnaval, mas de certa forma houve uma evolução tanto na performance da banda, quanto no número de admiradores do som dos caras.
Nem a ausência de Chuck Hipolitho, que atualmente está no Rio de Janeiro e era esperado para dar uma canja de Love Bazucas - seu projeto com os Chalks – durante a apresentação, diminuiu os ânimos do público. Todos cantavam as músicas em coro e com empolgação, esta que chegou a render vários moshs e rodinhas típicas de shows enérgicos como foi esse.

O Black Drawing Chalks já entrou fazendo todo mundo dançar “levemente sensual”, como costumam dizer, ao som de “Finding Another Road” e ir à loucura só com os primeiros segundos de riffs e acordes.
A rápida “My Radio” logo foi substituida por “Don’t Take My Beer”, que pode-se dizer que foi o estopim para os moshs e uma empolgação maior ainda.

A banda também mostrou um equilíbrio no setlist, ao colocar o big hit “My Favorite Way” entre as novas e pouco conhecidas pelo fato de só tocarem nos shows, “Simmer Down” e “Red Love”.

Nem “Everything Is Gonna Be Fine” – presente no primeiro CD da banda, lançado pela Monstro Discos em 2007 – serviu para acalmar o fervor da platéia, que pirava com os solos. Inclusive, dava pra fazer um concurso de “air guitar” ali, fácil, fácil.

Logo após “Precious Stone”, outra música nova. Mas essa era tão novíssima, que Victor Rocha (vocal/guitarra) chegou a alertar que provavelmente ela nem tinha nome ainda.

Enquanto a banda fazia uma pequena pausa por culpa de uma corda da guitarra do Victor ter sido quebrada, dava para ouvir alguns da plateia dizendo para o showman e baixista Denis de Castro: “Larga arquitetura! Você tem que fazer é isso aí!

Como Victor estava trocando de corda, uma jam foi improvisada pelo trio Denis de Castro, Douglas de Castro (bateria) e Renato Cunha (guitarra). Confira abaixo.



A jam então foi substituída pela muitíssimo aguardada “I’m A Beast, I’m A Gun” – que se já é uma das músicas mais viciantes e empolgantes do CD “Life is a Big Holiday For Us”, lançado em 2009 via Monstro Discos, ao vivo é mais enérgica ainda – e pela dançante “Free From Desire”.

Quando Victor Rocha anunciou que a próxima, “Big Deal” – que inclusive, teve uma das melhores versões que já ouvi e vi, com um final sensacional! – seria a última música, a plateia novamente se manifestou dizendo “Toca tudo! Deixa que eles te expulsem do palco!“.

O apelo parece ter surtido algum efeito. A banda então retornou ao palco para tocar “Leaving Home” e “Suicide Girl” – as minhas favoritas de cada CD e por isso gosto de pensar que eles fazem essa sequência de propósito, só para me agradar – que também são as que finalizam respectivamente os CDs “Life is a Big Holiday For Us” e “Big Deal”.

Setlist completo:

01 “Finding Another Road”
02 “My Radio”
03 “Don’t Take My Beer”
04 “Simmer Down”
05 “My Favorite Way”
06 “Red Love”
07 “Everything Is Gonna Be Fine”
08 “Precious Stone”
09 Nova e Sem Nome
– Jam -
10 “I’m A Beast, I’m A Gun”
11 “Free From Desire”
12 “Big Deal”

Encore:

13 “Leaving Home”
14 “Suicide Girl”

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Como essa foi a primeira edição de um grande Festival que só deixou boas lembranças, resolvi conhecer a opinião de outras pessoas que também estiveram presentes no Circo Voador naquela noite. Fiz cinco perguntinhas básicas aos espectadores Ana Beatriz Cinz, Luana Queiroz e Bruno Machado. Confira as respostas!

1) Foi para ver alguma banda em especial, mas acabou se surpreendendo com alguma outra?

Ana Beatriz Cinz: Fui pra ver Black Drawing Chalks e Camarones e me surpreendi com Canastra. Muito bom o show e dancei todas. Os caras são bons mesmo.

Luana Queiroz: Fui pra ver o Black Drawing Chalks e o Canastra (que mesmo sendo do Rj, ainda não havia visto um show deles). Posso dizer que me supreendi não com outra banda, mas com a performance do Canastra. Puta presença de palco.

Bruno Machado: Fui pra ver Black Drawing Chalks e Canastra. Black Drawing Chalks eu já havia assistido, mas o Canastra seria a primeira vez e os caras me surpreenderam muito, sendo ainda melhores ao vivo.

2) O que achou da estrutura/organização do Festival?

Ana Beatriz Cinz: Achei boa, tiveram alguns atrasos, mas faz parte, nada de relevante.

Luana Queiroz: Achei muito boa, tudo rolando de forma correta, pessoal da banquinha de merch super simpático a atencioso…

Bruno Machado: A organização do Festival foi impecável. Ao contrário da maioria dos festivais de música, o intervalo entre as bandas foi curto e não deixou o público esfriar e cansar de esperar.

3) O que achou do lineup?

Ana Beatriz Cinz: Achei ótimo, bandas muito boas; elogiadas na mídia.

Luana Queiroz: Tava bem diversificado e de boa qualidade. Bom para “gregos e troianos”. haha

Bruno Machado: O Lineup foi bacana, juntando bandas de estilo não muito parecido, o que deve ter agradado a todos os gostos.

4) No próximo evento, gostaria de ver qual ou quais bandas?

Ana Beatriz Cinz: Gostaria de ver Rock Rocket, Sabonetes, Ecos Falsos, Vivendo do Ócio e os Chalks de novo. =D

Luana Queiroz: Quero ZANDER!

Bruno Machado: Seria bacana se seguissem a mesma linha de bandas, mas adicionando uma pitada a mais de hardcore.

5) Qual foi o melhor show?

Ana Beatriz Cinz: Sem dúvida, Black Drawing Chalks. Indescritível, foi simplesmente maravilhoso. A energia, o som e enfim… Foi mágico.

Luana Queiroz: Canastra, pra mim, foi a supresa da noite.

Bruno Machado: Curto MUITO Black Drawing Chalks, mas por ter sido a primeira vez que vi Canastra e o astral dos caras no palco ser muito mais forte, curti mais o show do Canastra.

No twitter do Festival Fora do Eixo, foi postada a seguinte mensagem: “Agradecemos a todos que trabalharam, participaram e se divertiram nesses dias de Festival Fora do Eixo! Que venha 2011! =)

Pois é, Festival Fora do Eixo… Tenho certeza que falo não só por mim, mas por todos que foram conferir essa primeira edição do evento: Até a próxima!! E que ela não demore para chegar.



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